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Nesta seção, você encontrará diversos fatos e curiosidades históricas, organizadas por ordem cronológica. Veja mais abaixo:
1. Cervejarias de Blumenau
Em 1858, veio juntar-se aos colonos alemães que construíram, à margem do Garcia, a sede da colônia Blumenau, um imigrante de trinta anos. Chamava-se Heinrich Hosang. Pensou logo na criação de uma indústria de cerveja, de que trouxera prática do velho mundo. Instalou sua pequena indústria em 1860, quando Blumenau contava apenas com 950 moradores. A fábrica prosperou de ano para ano e foi crescendo o consumo da bebida que era a preferida no comércio local. Hosang faleceu em 1888. Seus herdeiros guardaram o registro do consumo da bebida. Só a Sociedade de Atiradores consumiu no primeiro daqueles anos 7.722 garrafas. Os negócios do Reinhardt, do Fernando Schrader, Henrique Probst, Sutter, W.Scheeffer, Victor Gaertner, Paulo Hartmann, Stein, Beyer, Fiedler, Asseburg, Rabe, Schreiber, Paupitz, H. Kestner, H. Hering, Guilherme Engelke, Jens Jensen e de muitos outros eram revendedores importantes.
Depois da morte do seu fundador, a esposa tomou parte nos negócios juntamente com seu filho. Depois o outro filho Francisco mais o genro Hermann Schossland passaram a dirigir a fábrica. Em 1906 assume sozinho o controle, e em 1923 acaba por vender a fábrica por motivo de doença para a firma Bock de Presidente Getúlio.
Outra cervejaria importante foi a de Carlos Rischbieter, conhecida como “Rischbieter Brauerei”, estabelecida no sopé do morro da Bela Vista, por volta de 1875, depois foi adquirida por Walter Berner de Joinville. A cervejaria prosperou, tendo sido adaptada à eletricidade em 1913. “Bavária” (clara) e “Favorita” (escura), além da marca “Schwartzbier”, eram produzidas na proporção de 100.000 garrafas anualmente, mais ou menos. Havia também a cervejaria Jennrich, da Itoupava-Seca, que por vários anos foi, foi o ponto de alegres reuniões dos apreciadores de cerveja daquele bairro. Mesmo de Blumenau, não poucos os apaixonados da loura bebida, se reuniam no bar, que Jennrich preparara num compartimento da fábrica, mobiliado a capricho, à moda das tradicionais “Bierstube” da legendária Munique, com os seus jarros e canecões de barro e porcelana lavrada, ostentando figuras e legendas, ora sérias, ora brejeiras, com chifres e cabeças de veado e de outros animais enfeitando as paredes.
Ali as horas decorriam célebres, em barulhentas tertúlias, pela noite adentro, sob o estourar das rolhas bombardeando o teto. Ao alto da entrada a decantada frase latina: “Cerevisiam bibunt homines; coetera animantia bibunt ex fontibus”.
Quando a pressão subia além do normal, começavam as cantorias. A princípio, ordenadas, cadenciadas e harmônicas. Depois, e à proporção que o calor aumentava, iam todas as escalas da desafinação, em sustenidos incríveis, ou baixos tétricos e sepulcrais.
Otto Jennrich criara-se com a família Hosang (de cuja cervejaria se tornara dedicado e operoso). Já homem maduro, estabeleceu-se por conta própria. Sua cerveja era vendida sob vários nomes, como a “Estrela”, a “Polar”, a “Kulmbach”. A cervejaria de Otto Jennrich passou, mais tarde, para a responsabilidade da “Cervejaria Blumenauense”, em sociedade organizada por Schmalz.
Fonte:
Blumenau em Cadernos, Blumenau, t.III, n. 9, 1990.
